quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

POEMA DRAMÁTICO


Fechado durante séculos,
o livro guardava o mistério das altas torres,
a água subterrânea das fontes.
Um nómada inquieto, 
filho das sombras,
indiscreto como uma criança,
o abriu.
Dentro, permanecia, inerte,
absorta no seu segredo, a gravura.
Quando o papel me chegou às mãos,
trazia pintado, a lápis de cor,
esse edifício imponente em seus tons verde 
e castanho,
como uma árvore.
Era a imagem comovente de antigos cadafalsos,
que arrepiava os ossos de perceber a intensidade
e o drama daquelas vidas,
hoje apenas o verdete nos beirais das casas,
uma luz oblíqua e um tecto despovoado 
aberto às chuvas e aos pássaros 
que sopram nos princípios da primavera. 
Observo este estado de alma,
esta vertigem de ver os artifícios duma flor confrangedora 
apegada à utopia,
numa sensação de frio, de imprecisos contornos,
da claridade esmorecida.
Regresso ao mundo, fora do castelo tranquilo.
A angústia mistura-se a um murmúrio,
a uma tranquilidade virtual,
a sedução pelo equilíbrio do sistema.
A gravura voltara para o interior do livro,
ao seu lugar de repouso,
fechado para outros séculos de indulgência.

19 comentários:

Minha vida de campo disse...

Belissimo poema, esse é o tipo de lugar que vejo em meus sonhos.
Tenha uma ótima e felizsemana.

tulipa disse...

Olá Poeta Amigo

que poema...
tb eu regresso ao mundo
a angústia mistura-se a um murmúrio
a uma tranquilidade virtual
Oh sim, mesmo virtual
...

A vida é preenchida de momentos que escolhemos
daí um dos meus blogues chamar-se
MOMENTOS PERFEITOS
...
se eu não os tivesse escolhido, não teria vivido esses momentos.

Obrigado pela sua visita e o comentário que deixou.

Vou-me deixando andar, com 4 blogues activos, MAS...ao meu ritmo.

Por aqui tenho sempre notícias frescas
deixo o menu, é à escolha:

http://momentos-perfeitos.blogspot.pt/
Quem prova Bebinca não lhe fica indiferente.
No entanto, não é um doce fácil de fazer, requer alguma perícia e prática para ficar bem feita. Refiro mais uma vez que esta é uma receita maravilhosa, originária de Goa, habitual em altura de Festas!

http://tempolivremundo.blogspot.pt/
COMECE A POUPAR PARA AS FÉRIAS - Nos dias que correm, não é fácil ter DINHEIRO para férias, no entanto, se tivermos o cuidado de ir fazendo uma ginástica nas despesas, garanto que se consegue, é só tomar atenção a alguns conselhos

http://pensamentosimagens.blogspot.pt/
Cada dia uma descoberta, uma aventura, uma luz, uma paisagem, uma partilha, um saber, um cheiro, um sorriso. Seguindo o pensamento de "Aldo Novak"
"Sua vida pode ser uma comédia, uma aventura ou uma história de superação, sucesso e amor. Mas pode ser também um drama, uma tragédia ou a monotonia da não-mudança. Porque todos nós temos tudo isso em nossas vidas.
O que muda é como editamos, em quais experiências mantemos o foco e sobre
o que falamos. Fale do drama, e sua vida será um drama.
Fale da aventura e a mesma vida será deliciosa.
ORA BEM...falarei sempre de AVENTURA para que a minha Vida seja deliciosa!

Um abraço bem grande da Tulipa

Anete disse...

Olá Vieira... Agradeço a visita no Fragmentos Poéticos...
Poema que vem da alma criativa... Sonhos e imaginações extravasados...

Abraço e muita paz...

vendedor de ilusão disse...

O título é condizente com o expressivo poema!

Arione Torres disse...

Oi amigo, vim lhe desejar uma excelente semana, abraços!!

Smareis disse...

Excelente poema Vieira!
Deixo um abraço!

helia disse...

Um excelente Poema Dramático !
Bom Fim de Semana

ॐ Shirley ॐ disse...

Belo poema, profundo, de " imprecisos contornos...".
AC, beijo!

cris braghetto disse...

Olá, Poeta.
Pela minha despretensiosa percepção, é certo que o mundo virtual é atraente, mas o livro também tem seus encantos, principalmente quando guarda mistérios.
Abraços.

Elyane Lacerdda disse...

Amo os livros físicos, gosto da vida virtual, sou até meio viciada em todos os dias viajar pela internet, mas o abraço, o beijo, a família devem estar sempre no real!
A vida é um infinito DRAMA!
belo poema,amigo!
http://www.elianedelacerda.com

Vento disse...

adorei esse poema, Poeta, tão real quanto a vida de pessoas, fora do livro, seduzindo a felicidade.
gostei muito da sua visita, obrigada.
abraço.

Vento disse...

adorei esse poema, Poeta, tão real quanto a vida de pessoas, fora do livro, seduzindo a felicidade.
gostei muito da sua visita, obrigada.
abraço.

Maria Rodrigues disse...

Era uma imagem de dor e sofrimento, mas que hoje é apenas uma lembrança de tempos negros de outrora.
Excelente poema.
Beijinhos
Maria

Arco-Íris de Frida disse...

Um livro que é aberto de seculos em seculos... que guarda historias de vidas passadas...

Poema belo...

Dorli disse...

Oi amigo,
O livro escrito por um excelente autor nos faz viajar para lugares inimagináveis. Prefiro a ler que a qualquer tipo de devaneio.
Beijos
Lua Singular

Bandys disse...

Ola,
As vezes as angustia cansa,
lindo poema.
beijo

José Vilhena Moreira disse...

abraço
:)

Edumanes disse...

Poema dramático,
nada de dramatismo
escrito por Vieira Calado
nas páginas de um livro!

Filho das sombras,
apetecidas no verão
caminhadas longas
cansam o coração!

Quem corre por gosto,
dizem que não se cansa
com o calor no mês de Agosto
muita sede seca a garganta!

Obrigado pela visita,
caro amigo poeta Vieira Calado, um abraço,
Eduardo.

Agostinho disse...

E a moura? e o ramo de aloendros? que disseram as pedras que ficaram?

Gostei, Vieira Calado.