sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

OS MUROS DA CIDADE


Onde inventar um caminho legítimo
para o êxodo, uma porta entreaberta
respirando o ar que vem da terra?

Os muros da cidade sustentam-se
destas incertezas, destas cortinas
de fogo, este balbuciar de cansaços
imperfeitos, tranquilos como fumo
esparso, dispersando vozes alheias.

Não nos inclina a dureza das pedras,
a sua fiel sabedoria de intransigências.

Mas tarde é inútil, para fingir exílios.

Hoje já é ontem, para o fim indiciado.

...em "CAUSAS DE HABITUAÇÃO" - a publicar

18 comentários:

Luma Rosa disse...

Oi, Vieira Calado!
Até porque qualquer iniciativa parece que já vai tarde...
Beijus,

Silenciosamente ouvindo... disse...

Gostei amigo deste seu poema. O que nos vale é haver poetas e poetisas
que sempre vão escrevendo com sensbilidade sobre a vida. Será que
permite que coloque um dos seus poemas num dos meus blogues?Gostaria.
Para si os votos de um bom fim de semana.
Um abraço
Irene Alves

José María Souza Costa disse...

Olá, Vieira Calado.
Que o teu dia de domingo, seja agradável.
Que o Criador, nos brinde, com: Saúde. Paz e Alegria.
E que a família, continue, a ser, o - esteio - dos nossos dias.
Um abraço.

Crocheteando...momentos! disse...

A poesia tem de ser sentida para se tornar bela!
Gostei e bom domingo!

gota de vidro disse...

Infelizmente parece que qualquer iniciativa positiva digna desse nome chega sempre tarde neste país de "falhados" governantes.
Belissimo poema como todos que saem de suas mãos. Profundo e certeiro. Parabéns e obrigada pela sua constante presença em meu blog.

Bjinho da Gota

Silenciosamente ouvindo... disse...

Amigo muito obrigada pela cedência. Vou colocar este e depois colocarei
alguns vídeos. Um abraço.
Irene Alves

Ana Tapadas disse...

Um belo poema a iluminar dias de ira...

Beijo meu

Lita Duarte do Brasil disse...

E o que resta é continuar seguindo em frente.

"Não nos inclina a dureza das pedras,
a sua fiel sabedoria de intransigências."

Boa semana.

Beijos.

Bípede Implume disse...

Olá Caro Poeta
Mas há sempre a voz dos poetas para amenizar estes tempos de pedras e iras.
Grande abraço e feliz 2015

DE-PROPOSITO disse...

Onde inventar um caminho legítimo
---------
:Será que há caminhos ilegítimos ?!... E através desta premissa lembrei-me dos filhos ilegítimos. Por acaso não são todos FILHOS.
-----
Tudo de bom por aí.
Abraço
MANUEL

Andrea Liette disse...

"Não nos inclina a dureza das pedras,
a sua fiel sabedoria de intransigências."

Estamos num ponto onde não há para onde nos exilar. Todas as fronteiras perecem pela ignorância humana. Ou nos inclinamos à compaixão, à gentileza, à legitimidade do Outro- ou vamos sucumbir enquanto civilização humana.

Que lindo poema. Saudações, querido amigo.


Nilson Barcelli disse...

Nem os muros te impedem de fazer grandes poemas como este.
Excelente.
Tem uma boa semana, caro amigo Calado.
Abraço.

O Sibarita disse...

Ô Vieira, um poema mureano, né?KKKK

Mas, neste concreto de tijolo e cimento vc extraiu a singeleza do poema, oi que bom! kkk

O Sibarita

vendedor de ilusão disse...

Inventar uma saída para o êxodo fugindo da cidadela imaginária que nos cerca não é fácil; os grilhões sentimentais que nos são impostos, por vezes, são tão fortes que dificilmente permitem nos desvencilhar e, com isso, só nos resta a resignação. Expressivo poema, meu caro Poeta!

Labirinto de Emoções disse...

Olá Vieira Calado
Não há muros que nos possam impedir de sonhar...
Serei sempre uma eterna sonhadora contra ventos e marés!
Um beijo
Teresa

Fê blue bird disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fê blue bird disse...

Os muros cercam-nos o corpo mas não a mente.

beijinho

EU disse...

Os muros são os (nossos) medos.
Muito bom!
Bjo :)