domingo, 15 de junho de 2014

NAQUELA NOITE


 
Naquela noite sonhei que sonhava.

Era dia.

No meu sonho estavas tu alegre nem um pássaro
subindo no meio duma fresta de sol,
em inverno rigoroso.

Eu sonhava e dizia-te sonhei contigo,
estavas tu a sorrir sentada no chão,
enquanto a chuva caía sobre uma árvore despida de folhas,
meditativa.

Era uma sensação plena de ternura
pelos teus grandes olhos azuis alucinados,
ignorante da vacuidade dum extenso fogo
que eu já vi nos despenhadeiros
por onde andam os répteis absurdos,
nas linhas verticais dum desejo.

O teu corpo reclinava-se,
voava em cima dum enorme bloco de gelo
que transfigurava tudo no cinzento dum pombo, 
na noite plúmbea do mar.

Eras tu que vigiavas uma fábrica de beijos,
homens e mulheres de estranhos capitéis
para se protegerem da geada
ou talvez da antiga ciência do deslumbramento.

Eu era apenas uma sombra.

9 comentários:

Nadine Granad disse...

Lindo sonho dum sonhador ;)

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Um sonho numa viagem que se faz acordado no tempo do amor

Ingrid disse...

Já por aqui.
E para seguir?
Beijo e bom Domingo.

Elisabete disse...

Olá poeta! Agora já dá para eu comentar.
Obrigada por esses lindos versos.
Bom domingo

Elvira Carvalho disse...

E bom cá estou eu na nova casa.
Será que fui a primeira?
Gostaria de ter engenho e arte para comentar o poema como merece, mas já sabe que eu não sou boa a comentar poesia. Gosto ou não gosto e deste gostei.
Um abraço e resto de bom domingo.

cirandeira disse...

Olá poeta, há tempos vinha tentando fazer comentários por aqui, sem sucesso. Ainda bem, agora podemos recomeçar, não é? E com um belíssimo poema!!!
Haverá "seguidores"? Não vi o link...

Beijos, e um ótimo domingo

lino disse...

Cá estarei.
Abraço

Jaime A. disse...

Quem me dera também ter sonhado este sonho.
Votos de muitas felicidades neste novo espaço.
Um grande abraço.

Beatriz Bragança disse...

Amigo Poeta
Um belo sonho,num óptimo poema!
Primeiro mais romântico,depois denotando os seus conhecimentos de arquitectura clássica!
Estruturou o assunto em duas partes muito interessantes,ou não se tratasse de um sonho,em que o nosso subconsciente tem rédea solta!
Parabéns pelo poema e pelo novo Blog.
Um abraço
Beatriz
VIDA E PENSAMENTOS