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domingo, 15 de Junho de 2014

terça-feira, 10 de Junho de 2014

O FOGO DAS ESTRELAS


O fogo das estrelas arde e passa.

Dispersa-se.

Infiltra-se nos interstícios do vazio
só cheio de espaço e tempo.

Depois segue para o eterno
acendendo outras estrelas
como fazem os nossos pequenos gestos
de ser pensante -

processador dos símbolos 
da eternidade.

segunda-feira, 2 de Junho de 2014

VELHO VENTO


Vento viajante, ó velho vento circundante
unindo este a oeste com a tua lira redonda
sempre a sucumbir nestes horizontes,
em timbres de loucura ou mansidão.

Vento que sopras o perfume das flores,
diurno em céus de estrelas
perdidas sobre a praia azul tranquila.

Vento de memórias do sal dos ácidos,
desertos de lonjura, águias rupestres
de olhar vagabundo cavando as fragas
onde vivem os fetos, as memórias
do magma profundo que cobre o chão.

Vento abstracto, senhor dos continentes,
que arrastas a imensidão dos gelos
e a ardência dum coração audaz.

Vento violento que levas à terra o mar do tempo
na penitência duma vida despejada,
ó vento avassalador
ó vento violento,
eu te saúdo desde os princípios do caos,
para que prossigas no etéreo gesto
da transfiguração do pó dos átomos
na crónica perpétua dos dias.

terça-feira, 27 de Maio de 2014

POEMA EM MAIO


Com seus tambores de fogo e cinza
o mel da manhã menino
de luz e sombra


rosto lesto rosto
de alísio ágil cio


O mês em que nasci.


A bruma e o sol.


O sul nascente.


O mar.

terça-feira, 20 de Maio de 2014

POEMA À CIDADE


A cidade irá permanecer depois da minha morte:
irá permanecer em metamorfoses de claridade,
o céu esvanecendo a reminiscência duma elipse
num sentimento ainda vago pelas ausências.
 .
Cumprirá a norma habitual das regras eruditas,
a de exercer a utopia num casulo de teias indeléveis
só perceptíveis nas mais ocultas noites
onde os sonhos abusam dos olhos comovidos.

 -
Irá permanecer nas vielas duma probabilidade
insondável, de mistérios irrevelados,
insolúveis, mas destros de memórias
doutros tempos, do tempo ausente, de ontem.

 º
Irá permanecer com a mesma célere inconsciência
de raízes demoradas sobre a terra, na solidão dos dias
e irá até ao limite a luminescência da noite
flutuando sobre o infinito de outras vidas interinas.

quinta-feira, 8 de Maio de 2014

GRANDE EXPOSIÇÃO, em LAGOS

A minha participação na Grande Exposição do Alonso, 
no CENTRO CULTURAL DE LAGOS
versando o Espírito de Abril
consiste em Poemas Ilustrados e Vídeos, sobre o tema.
Parte da minha participação. Os vídeos passam em contínuo, numa sala escura.

sexta-feira, 2 de Maio de 2014

2 de maio


Foi um dia igual aos outros dias.
.
Acordei à mesma hora de ontem e de amanhã
vesti-me como os outros dias me vestia
o mesmo emblema me orlou a lapela
o mesmo ideal louco me embutiu a razão
e até os meus sapatos
deixaram as mesmas marcas indeléveis
sobre o caminho de pedra.