Vem verão com pétalas de sol zunindo
a tarde ameaçada pelo incêndio da noite,
súbita de harmonias, rasgada de ocultas aves
ciciando a espuma translúcida dos olhos,
devorada de penumbra!
.
Vem verão coberto de sonhos rente ao rio,
exausto, de vermes apodrecido
sob o hálito fugidio das folhas secas
– de sol e mistério breve
–
num harpejo de searas e semente!
.
Vem verão dócil
sonâmbulo abrindo
as entranhas da terra grávida,
de secura e pólen amarela
em crepúsculos voando o inverno
num violino de cigarras!