Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

SEM TÍTULO (5)

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Um dia tenho que começar a organizar-me

eu que nunca organizei coisa nenhuma

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porque nada me carece ser organizado

e nenhuma coisa me pediu para ser organizada

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a não ser a teia de entender o que nada sabemos

para o modo e o método de simplesmente ignorar.

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Mas o tempo urge por debaixo dos pés onde há

um silêncio virtual preso aos rumores do vento.

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Tenho primeiro de organizar os rumores do vento.

,

inédito

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

POR DETRÁS DAS PALAVRAS

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Ultrapassou os 80 mil visionamentos
o vídeo produzido no Brasil,
sobre o lançamento do meu livro
"Por Detrás das Palavras", em S. Paulo.
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A todos, o meu muito obrigado.

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clicar duas vezes, no vídeo, ao lado, na barra lateral,
para ver o écran inteiro,
no meio da página.
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Leia também o meu conto
aqui
AS FLORES DA TERRA


Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

A GUERRA E A PAZ (2)

,
Um pau
um triângulo negro entre as pernas
uma pedra
um coup de poing
um biface muito polido
uns olhos – provavelmente uns olhos
uma faca afiada
uma funda e um calhau
uma espada
uns olhos – aqueles olhos
uma taça de rhum
um mosquete
uma espingarda por dois cálices de absinto
uma granada
uma metralhadora máquina de costura
um obus
duas papoilas de ópio para enfeitar a alma
um canhão sem recuo e outro no cu
uma bebedeira de vodka
um foguete
a minha vida pela menina dos teus olhos
um sabre
uma V5 voadora
os teus olhos mil cores
..mil formas
....mil desejos
......mil vezes mil a eternidade
num cigarro de marijuana
um míssil
uma bomba atómica e outra de hidrogénio
um super-canhão
uma bomba de neutrões
um chuto na viola
um tiro na testa
meu amor
minha heroína de todos os sonhos
meu amor
meu amor
meu amor
.
............inédito

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

HAVANEZA











(
imagem do livro
)
.
,


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Quem os reconhece nesta imagem de ontem,

nesta transfiguração do tempo, neste lugar remoto?
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Em que acreditavam estes homens, quanta cisma
no rumor das suas vidas interinas, o temporal
de outras mesmas ideias à mesa duma tarde
que já é infinitamente noite para voltar
ao eterno comum das coisas simples de sempre?
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Que diriam da cidade de ontem, do país, do mundo,
quais seriam as suas convicções, a transfiguração
que adivinhavam no lugar limpo que habitavam?
.
E como não entender a sua postura imperturbável,
nesta metamorfose do lugar, este tempo brando
feito de palavras lentas, gestos indefinidos
que nos traz a incerteza dum anoitecer sereno?
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em "Algarve Ontem", recentemente publicado.
* Ainda ao preço de lançamento: 5 euros, p.p.

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

A NOSSA VIDA


A nossa vida é um lugar na luz, um artifício
da sua transparência, uma vertigem volátil
na redundância dos ares que respiramos.
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Somos submergidos pelo eterno tambor do tempo
e habitamos a sua fronte nua, o limbo cristalino
das suas mãos feitas de água, a bruma absurda.
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Vamos desbravando um caminho austero, interino,
com um silêncio inquieto manchado de murmúrios,
a cinza anónima, perecível, do cristal que fomos.
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Essa é a nossa condição, o declínio da claridade
que inunda os espaços onde soa a dúvida
de não sermos senão a imagem virtual da ideia
que temos de nós mesmos, do que julgamos ser.
,
É excessivo este julgamento, mas é o possível,
porque não conhecemos outra alquimia
para explicar o sossego dum morto, recém vivo.

,
em "Por Detrás das Palavras", ed. Beco dos Poetas, S. Paulo, Brasil
.
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ESTÁ PATENTE, NO BAR "FIM DA LINHA"
.- JUNTO À ESTAÇÃO DA CP, EM LAGOS -,
......um conjunto (10 dos 16) quadros
......que compõem a minha exposição
........clicar..."AS CORES DO POEMA"


As ilustrações são em A 3
elaboradas unicamente com meios informáticos

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

BAR DA NOITE

-
Cigarros voam por cima do fumo
no balcão em movimento,
à beira da vertigem
prolongada pela música.
-
Evapora o tempo dentro dos copos
cheios de névoa
abundantes do ar
que respiramos com os olhos. 
.
Correm os fluidos no pensamento absorto
em labaredas de palavras.
.
E tudo é a efervescência dos sonhos vagos
imersos numa taça de marfim
no dia noite
por onde passam os instantes
que refazem o decurso
dos dias frustres.

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em "Arabescos", esgotado

Sábado, 7 de Janeiro de 2012

50 Anos de Publicações

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Terminou o ano em que comemorei os meus "50 Anos de Literatura".
O meu primeiro livro "37 Poemas" foi publicado em Lisboa, em 1961.
De lá para cá foi um longo percurso,
entre livros publicados em várias disciplinas
(poesia, contos, ficção científica, astronomia para amadores, teatro, 

e poesia experimental/visual ou ilustrada, postais de poesia).
Não teria aqui chegado sem a ajuda preciosa e desinteressada
de vários amigos
que escreveram prefácios ou anotações várias, paginaram,
ou fizeram capas ou desenhos para os meus livros.
O meu obrigado a todos: A. Trindade, Jorge Norvick, Hugo Beja, 

Deda, Adrienne Apers, Fátima Santos, José Francisco Luz, Vilhena Mesquita,
José Paula Borba e Brazão Gonçalves.

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Todos os trabalhos e calaborações aqui

Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

POR ARTES MÁGICAS

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Por artes mágicas
e outras lógicas
.
nos rigores do mar
nas velas brancas
como espuma de ar
derribando os continentes
e as ilhas
por onde andei
.
nas noites e nos dias
me aventurei
ao interior dos vulcões
e vi
nas noites do sonho
e utopia,
a lua clara
em pleno dia.

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

LIVRO DE TEATRO

clicar na imagem
APRESENTAÇÃO: Prof. Maria Antónia Vargas
MOMENTO MUSICAL: Duo Paulo Galvão e João Bandarra (guitarra clássica).
Porto de Honra, Convívio, Sessão de Autógrafos. 
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Leia também "Ao Modo de Apresentação" - da peça, aqui

Domingo, 18 de Dezembro de 2011

NATAL NA RUA

O NATAL DOS SEM ABRIGO
 .
Naquela noite fazia frio fazia pena
ver almas despedaçadas deitadas corpos entrouxados
dispersos nas calçadas luzidias do passeio das ruas
 .

Caía uma névoa fina que simulava chuva punhais
de raiva e resignação ou antes uma levada de mágoa
de murmúrios sem data sem fumo sem restos de cio
perdidos num mar de pedras nas calçadas da rua
,

Era uma noite de claustros tambores rufando clamando
os clamores da vida a náusea descrente na boca sofrida
o granito fundido já duro das lutas perdidas
pisado nos ossos nos ombros nos olhos que olham
as coisas por fora nas coisas por dentro
e as noites nos dias e os búzios na praia sem vento
soprando as pedras do passeio da rua

,

Doía a quem doía não fora a noite uma noite
de aprazimento em todas as aldeias da cidade
tempo de alegrias acepipes farturas alvarinho
em casas abastadas sobranceiras aos passeios da rua
.

o mais vago grave desígnio dum oráculo de plenitude
na inocência das crianças nas crenças na sentença
dos mecanismos que levam ao enternecimento
por ver a chuva a cair sobre corpos alheios
prostrados enrodilhados no manto do passeio das ruas.

 .
...............................DESEJO

A TODOS OS MEUS ESTIMADOS LEITORES

.......,,,....UM FELIZ NATAL!


Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

PÁTRIA

Miniatura dum quadro do livro "As Cores do Poema".
Em exposição o quadro é no formato A 3, com passe-partout e moldura.
:

Domingo, 4 de Dezembro de 2011

AS CASAS (excerto)

Foi apresentado o livro "5 Poetas de Lagos", vol VI.
Eis um dos poemas da minha participação

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As casas
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Na cidade resvalamos pela lâmina dos dias
o contorno dos passeios antigos, as inscrições
do vento encurralado nos umbrais do tempo.
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Aqui tecemos a teia da luz e da sombra
volúvel, da nossa obediência ao sol,
ao claro/escuro ágil clivagem duma nuvem,
ou a cirros de sono no lilás da tarde:
.
transitórios de corpos que são os nossos, hábeis
passageiros, limpos insectos de lábios trans-
lúcidos colados aos vitrais reflectidos para dentro,
onde roçam vestígios de amores idos
rasgados em sangue e esperma – versão a mais antiga
da pólvora/seta a mais veloz da ave,
submersos de pequenas minúsculas aranhas voando
ao indelével vento dum fio de seda,
a bafejar a pele do corpo antiquíssimo
desde o fumo mais imemorial
de todos os segredos da vida
.
trazidos no eco dos frutos do pólen que veio
de ainda além das montanhas e do mar,
talvez de ainda além donde as estrelas
disparam a cinza cadente na noite acesa
de luz e poeira
com que amassamos os olhos terríveis
dos deuses.
(...)
O poema todo aqui

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

CIDADE ANÓNIMA

Chego a esta cidade
despido de emoções
as mãos vazias
o olhar vago, sem referências.
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Trago apenas uma pequena auréola de luz
a enfeitar o meu cabelo
pela desobediência aos ritmos
os cinzentos que leio nos ares.
.
Corpos estranhos desenham-se
na nudez das minhas veias
como o silêncio das águas
dum lago a rasar o azul
 .
É tarde para situar-me
na amálgama das ruas
 .
Só me resta uma nesga de sol
antes da noite que soa.

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

POEMA AINDA

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.....Poema ainda
.
........Ave e seta como a luz
........rasgando a bruma
.
........Lume sob a cinza
.
........Liberta asa
........que o arco ainda tenso
.
........abrasa
.
..............em "A Palavra em Duas", 1982, esgotado

Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011

MAIS NADA

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Antes de morrer não vou dizer nada
porque nada iria servir para nada.
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O que as outras pessoas querem que eu diga
já o disse.
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O que os amigos querem que eu faça
já o fiz.
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Só não lhes disse
que ao morrer não iria dizer ou fazer mais nada
porque não há nada mais ridículo
que dizer ou fazer o que quer que seja
ao morrer.
.
inédito

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

DIÓGENES



Quadro de Jean-Léon Gerome
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- O que queres que eu te dei?
Alexandre, o Grande 
.
Só quero que não me tires
o que não me podes dar.
Tira-te da frente que me tiras o Sol.
Diógenes
 .
Nada tinhas,  nada querias,
a não ser a claridade dos céus azuis,
a sabedoria do estro primaveril das estrelas meridionais,
porque entendias na dispersão da luz, 
no rearranjo do recorte das imagens
a descrição duma planície de transparências.

Por isso é que procuravas em pleno dia,
à luz duma lanterna a luz dum homem,
a silhueta dos seus predicados, a excelência
fulgindo contra o escuro do próprio dia.

A tua ciência era a ciência abstracta
de repensar a pura existência,
o seu sentido lato,
como o pólen dispersando a vida
duma planta.

Pouco sabias do que outros sabiam
e isso não te importava
porque só querias o sol, o ar limpo.

Nada querias a não ser o que dava o dia,
o sol de Corinto e a liberdade de pensar a utopia
e o que nenhum Alexandre pode dar
a quem a tirou: a vida.
.
em "Dicionário de Citações", a publicar

Domingo, 6 de Novembro de 2011

O EVENTO

O Dr. Júlio Barroso, Presidente da Câmara Municipal de Lagos/
Wilson Cruz, de Porto Seguro, Brasil/ e eu


Ver reportagem  aqui 

Domingo, 30 de Outubro de 2011

NORA - ALGARVE ONTEM

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É já no próximo sábado, dia 5, pelas 17 horas, que o meu mais recente livro "Algarve Ontem" será apresentado na Livraria Pátio das Letras, em Faro. A apresentação estará a cargo da Professora Maria Antónia Vargas. Sobre os aspectos histórico/etnográficos das fotografias (de antes da década de 60), que acompanham os poemas, dissertará o Dr. Brazão Gonçalves, que colaborou no livro, escrevendo essas notas sobre antigas actividades algarvias, agora extintas ou em vias de.
.
.
Era na cadência demorada duma roda de alcatruzes
engrenagem mourisca engendrada noutras mentes –
que descobríamos o sabor das tardes cálidas de Julho
a paz lenta e a bucólica placidez das hortas.
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Os nossos olhos recobriam-se do verde azul dos milhos
o aroma do barro inundado pela água que brotava
do devaneio dum fauno, ou a frescura das laranjeiras
numa grinalda em flor para uma noiva anunciada.
,
Era nesses dias de intensa e mansa transparência
que nos iludíamos de eternidade sobre a terra,
no eterno retorno da água em seu ciclo de frescura
tingindo o nosso olhar da cor das nêsperas e morangos.
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Era nesses dias de menino que nos detínhamos
no esplendor dos dias longos de idílios e desejos,
voando ao sabor das horas desprendidas, da inocência,
herdando o engenho da roda e da água gerando a luz.
-
VEJA TAMBÉM ESTE E-BOOK (feito  no Brasil), com poemas meus aqui

Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

A FLOR SOBRE O PANO BRANCO

. .
A flor sobre o plano branco,
a palavra no meio doutras palavras brancas
de cores e chamas
 .
ou o fruto maduro entre a folhagem
verde
novo de sabores ignorados
 .
e aquelas mãos
o teu corpo de mulher entre as mulheres
o pano brando onde aprendo
a cor melhor das flores
e sabores.

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

CELEBRAR A CASA

 .
Nunca é demais celebrar a casa,

o lugar onde mitigamos as nossas memórias,
a nossa simplicidade nas esperas.
 .
É o lugar para soletrar segredos à nossa própria impiedade,
num desespero secreto, alheio aos rumores que vêm
do mais fundo das trevas
onde mergulhamos a cabeça vigilante.
 .
Partimos dela para as lonjuras, a cisma e a ficção,
a utopia de estóicos logros.
 .
E recomeçamos pela madrugada
a contar os dias lestos que definham
no ar parado dos mistérios duradoiros,
na roupagem do silêncio e do enlevo
pelo infinito dum beijo prometido
.
em "Causas de Habituação", a publicar

Domingo, 16 de Outubro de 2011

SARAU DE POESIA EM BARÃO DE S. JOÃO


 .
Uma noite de Poesia com a participação especial de elementos do blog lagos
e de participantes na colecção "5 Poetas de Lagos".
Uma produção de Chico Lumière.

Pode ver aqui o poema que eu li


Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

AS CORES DIZEM O TEMPO

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As cores dizem o tempo,
o granizo que embranquece as arestas do granito,
o hortelã respirando pequenas flores de sabor a sul.
-
Ó a antiga sapiência das árvores
e dos caminhos
e da plenitude nas planícies de verdura!
-
Como não hei-de segredar o teu nome
ó bonina de incenso, em noites de paixão,
nos pântanos que parecem eternizar os teus segredos?
-
És o pólen e a cegueira
de espirais hipnóticas de paz e medo,
em águas nascentes de musgo e de frescura.
-
És a vertigem duns olhos feridos pelo orvalho
das manhãs, ao cair da tarde
.
e eu te invoco na busca dos limites
que fazem o fascínio, a vigília perturbada
do teu violoncelo  tocando ao vento.
...
-----em Poemas Soltos & Dispersos, 2º volume
. -----
       Veja também a nova postagem sobre "A Febre do Ouro"

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

POEMA A PIERRE CURIE


Poema a Pierre Curie   
.

Viveste entre a pecheblenda e os ácidos
entre os deleites de Maria e a ânsia
o frenesim activo dos metais.
 .
Buscavas os segredos da vida
feita mistério no coração duma pedra
muda quieta indecifrável
que vive de pequenos espasmos de energia
e brilha na escuridão dos séculos.
 .
O teu raciocínio era bom
trazia a justificação do ovo
o segredo mais íntimo das estrelas.
 .
Mas uma tarde partiste.
 .
Como toda a gente.
 .
Mas tu não partiste como toda a gente.
Morreste a pensar, a remoer o pensamento
a revolver a alma duma pedra.
 .
Por isso não morreste para sempre.
 .
Embora não contasses
que o distraído mecanismo duma roda
pudesse apagar nas estrelas,
o voo dum pássaro ao coração dum ovo.