segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

CELEBRAR A TERRA

Celebrar a terra que acende os horizontes, a persistente luz
das estrelas, e me ensina a alegria chã das aves diligentes,
a metamorfose dos insectos sobrevoando os vales do tempo.

Como não hei de venerar a ostentação dos seus véus brancos
quando caminham longe, permitido o logro, os festejos do sol,
alheios à nudez dos ares, a mão que ateou a viuvez do tempo?

Celebrar os jogos lascivos do vento abrasando vultos voláteis
de árvores despidas, esculpidas na nitidez das tardes paradas,
ignorantes de que nas cinzas é possível ler o poder das cinzas,
a comovente singularidade de serenos crepúsculos, quando
já outros partiram rumo ao apaziguamento, num barco de luz
livre, escrevendo o seu nome numa flor de lótus, à beira Nilo.

E por fim celebrar as vestes heróicas, a cada manhã revelada,
do modesto ofício duma flor enfeitiçada sobre o rio que passa,
dum pássaro madrugador iludindo o enigma plural da noite.

Festejar a sua inocência, o incêndio imperfeito das sombras
que rasam os seus destinos, numa desordem programada,
para que prossiga o festim vagaroso, prosaico, das estrelas.


 em "TERRACHÃ", ed. AJEA, 2004

17 comentários:

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Vieira Calado, bom dia.
Que linda sua Poesia continua sempre
sendo.
Encantada o aguardo la
no Espelhando.
Bjins
CatiahoAlc.

Emília Pinto disse...

Celebrar a terra, esta terra para onde fomos trazidos sem qualquer outra opção e para que em perfeita comunhão vivessesos com todos os outros seres viventes. Alguém se lembrou de classificar esses seres e a uns, segundo consta foram dotados de uma inteligência superior; atreveram - se a dar-lhes um nome " pomposo" o tal homo sapiens" porque deles se esperava muitissimo mais que os outros, os ditos irracionais.; celebram estes a natureza todos os dias, com os seus cantos, com os seus voos pelas flores que delumbradas ladeiam o rio que passa; precisam estes seres das árvores, das águas limpidas, das sombras, das ervas daninhas e de todas as flores pequeninas. Ha uma festa a cada dia que nasce na floresta.. Mas a essa festa esta sempre ausente o tal humano, tão desumano que corta, suja, mata, derruba e quando vemos esse mesmo ser a sujar a água que bebe e friamente a promover festins regados a sangue elevamos os olhos ao céu e pedimos às estrelas que continuem a brilhar para que a luz entre na mente dos homens e os convide a participar de coração aberto da festa que a cada amanhecer a natureza nos oferece.
Amigo, desculpe a minha ausência e obrigada por não me ter esquecido. Mais importante que isso é nao se ter esquecido de que a mãe natureza pede socorro e de que os alertas nunca são demais. Um beijinho e parabéns pela bela poesia
Emilia

Arroz Di Leite disse...

Precisamos cuidar muito desta terra.
Linda poesia.
Aproveito e fico com você aqui.

Bjs

Tânia Camargo

manuela barroso disse...

Uma dedicatória a nossa mãe - terra no lavrar melódico e dos tons inesquecíveis que arrepiam a nossa pele
Linda poesia Vieira Calado
Beijinhos

Acordar Sonhando . SOL da Esteva disse...

A Terra, a Mãe, a Vida. Boa "melodia" Poética.


Abraço
SOL

Fá menor disse...

A Natureza é fascinante!...
Bjs

Fá menor disse...

A Natureza é fascinante!...
Bjs

Dorli Ramos disse...

Devemos celebrar a Terra, ela abarca todos os seres vivos e ela chora ao ver o homem acabando com a Linda natureza que Deus nos deu de presente.
Linda poesia
Beijos
Minicontista2

Ailime disse...

Boa noite Genial Poeta,
Sempre magistral a sua poesia.
Magnifico hino à Mãe Natureza.
Beijinhos e bom fim-de-semana.
Ailime

Crocheteando...momentos! disse...

Festejar e celebrar deixa_nos gratos nesta vida!

Janice Adja disse...

Palmas!!
Muitas palmas!!!
Beijos

Janice Adja disse...

Palmas!!
Muitas palmas!!!
Beijos

Maria Rodrigues disse...

Uma linda e sentida homenagem ao lar de todos nós, a Terra.
Um abraço
Maria

AC disse...

Um elogio à vida, só possível a quem tanto a sente.

Um abraço, poeta.

Maria Teresa Valente disse...

Celebrar sempre, a terra que nos acolhe e nos mantém com sua natureza exuberante!
Que mesmo castigada, se renova a cada instante!
Linda e justa homenagem à terra!
Abraços carinhosos
Maria Teresa

Ana Freire disse...

Uma verdadeira celebração, à vida e à Natureza...
Uma magnífica celebração, na forma deste belo poema...
Gostei imenso! Abraço
Ana

Ana Simões disse...

A vida é algo a celebrar a cada segundo... Com todas as vicissitudes que a mesma tem... E esta poesia é não só uma celebração á vida é um hino á mesma.
LINDO!!!