domingo, 28 de fevereiro de 2016

Cidade anónima


Chego a esta cidade
despido de emoções
as mãos vazias
o olhar vago, sem referências.

Trago apenas uma pequena auréola de luz
a enfeitar o meu cabelo
pela desobediência aos ritmos
os cinzentos que leio nos ares.

Corpos estranhos desenham-se
na nudez das minhas veias
como o silêncio das águas
dum lago a rasar o azul

É tarde para situar-me
na amálgama das ruas

Só me resta uma nesga de sol
antes da noite que soa.


 inédito

8 comentários:

Luis Coelho disse...

Um acordar e ver-se num mundo em movimento, uma cidade que nos é estranha,um mundo em movimento.
Estou feliz por reencontrá-lo no mundo da poesia.

Fá menor disse...

Enquanto nos for restando uma nesga de sol podemos desenhar o dia.
Bjs

Laura Santos disse...

Deve sempre trazer-se uma luz a acompanhar-nos, quando as mãos estão vazias e a atmosfera é cinzenta.
Belo poema.
xx

Edumanes disse...

Com as mãos vazias,
chegou a essa cidade
escrevendo lindas poesias
sem prazo de validade!

Boa noite caro amigo poeta Vieira Calado, um abraço,
Eduardo.

Pensamentos Com Asas disse...

Linda poema! Escreve com a alma parabéns!
Obrigada pela visita pois já estou te segundo no blog :)
Gostaria que me seguisse também... assim poderei ver suas publicações.
Beijos em seu coração

Ana Simões disse...

E assim andamos todos... por este mundo fora... Buscando uma nesga de sol antes que a noite soe... LINDO!!!!!
Boa semana

Ana Simões disse...

E assim andamos todos... por este mundo fora... Buscando uma nesga de sol antes que a noite soe... LINDO!!!!!
Boa semana

Vera Lúcia disse...

Olá poeta,

Uma pequena auréola de luz é suficiente para iluminar os cinzentos escritos nos ares.

Belíssimo poema.

Abraço.