segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

NU TEMPO

X

"A nossa consciência é o próprio tempo!" 
Henry Bergson


Somos, pois,
apenas personagens do exercício de passar
pelo espaço, que julgamos ser o nosso tempo,
um poema – talvez um poema… –,
ou um simples texto ausente de sintaxe ou nexo,
escritos nos interstícios do vento!

Porque eles coabitam nos átomos do ar,
como nós em outrem coabitámos
desde antes de sermos nós,
sem conhecer as fronteiras do contínuo futuro
no seu espaço/tempo, sem era e cem limites
que num abraço longínquo escoa os seus limites,
numa ampulheta vertical sobre a cabeça.

Porém, és tu que dá corpo e dependência
à tua sede de utopias e delírios,
como numa emoção estética 
somos nós quem dá vida a um quadro intemporal ‒
o prémio de entender a passagem ímpar dos corpos
pelo abstrato fruto da inquietação.


  (…)

 Pág 67 do poema "Nu Tempo", a publicar.

16 comentários:

Crocheteando...momentos! disse...

Uma passagem que importa seja consciente de modo a que o tempo nos mostre que valeu a pena! Boa semana!

Crocheteando...momentos! disse...

Uma passagem que importa seja consciente de modo a que o tempo nos mostre que valeu a pena! Boa semana!

CÉU disse...

Bom dia, Vieira Calado!

Agradeço a sua visita e comentário. A que programa se refere? Não percebi o que pretendeu dizer. Gostaria que se explicasse. Muito obrigada. O meu computador não tem programas especiais, acrescento.

Em relação ao seu fabuloso e bem estruturado poema, quem sou eu, simples e leiga mortal, para falar de poesia? Gostei muito do conjunto de metáforas, que utilizou, tal como da temática do mesmo.
Nestas coisas do amor, há sempre um que ama mais, e outro que ama melhor. Aqui, os dois amam com a mesma intensidade, mas é ela que mais se empenha, que mais mostra a excitação do momento, que dá o "pontapé de saída", por assim dizer, usando linguagem futebolística.

São dois. São duas personagens com nexo, mas muito bem unidas e contextualizadas no poema, que, é sensual e levemente erótico, sem o parecer.
A inquietação, gramaticalmente analisando, é, como sabe, um nome, um substantivo comum abstrato, feminino, singular, mas no seu poema ela nunca poderá ser não palpável. Está na cara, meu amigo! Está no corpo. Está em vós.
Parabéns pelo seu talento!

Um excelente dia!

Blog da Gigi disse...

Ótima semana!!!!!!!!! Abraços

Simone Felic disse...

O poder de passarmos nossos ensinamentos aos filhos
rege a nossa vida mesmo quando não temos a intenção
de passar qualquer coisa.
Abraço.

http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

Dorli Ramos disse...

Um poema de um poeta renomado
Lindo
Beijos
Minicontista2

Ana Simões disse...

Lindo!!! Boa semana.

Ana Simões disse...

Lindo!!! Boa semana.

Vera Lúcia disse...

Olá grande poeta,

O poema é filosófico e inteligentemente construído.
Há teorias, como a de Einstein, sobre a inexistência do tempo, o qual seria mera ilusão.

Ótimos dias.

Abraço.

São disse...

Todos os seres vivos estão , sim, inscritos no vento.

Bom feriado e abraço grande

Ana Freire disse...

Belíssimo poema!!!
A nossa consciência é o tempo que passou... e só a maturidade do tempo que passa e que virá... nos dará uma consciência mais apurada, e profunda, de tudo, e todos os que nos rodeiam... haverá uma relação biunívoca entre ambos... nesta nossa permanente inquietação... a que chamamos de vida.
Abraço! Bom feriado!
Ana

Laura Santos disse...

Passamos como o vento, à medida que o tempo de nós foge, e só a consciência nos dá dele a percepção, e nesse sentido o tempo somos nós. E só através da Arte e do Amor se pode adquirir uma fugaz intemporalidade.
Um excelentíssimo poema, como sempre.
xx

Majo disse...

~º~*~º~*~º~*~º~*~º~*~º~*~º~

Tão breve é tal passagem...

Excelente, Poeta. Excelente!

~~ Abraço amigo. ~~~~~
~ ~ ~ ~ ~ ~

Jaime Portela disse...

Passamos. Mas depressa de mais... Nós vamos e as pedras ficam...
Excelente poema, caro amigo, gostei imenso.
Vieira, tem um bom resto de semana.
E um Feliz Natal.
Abraço.

Elvira Carvalho disse...

E é tão breve a passagem amigo. Algums minutos na escala do tempo.
Um abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

o tempo...esse malvado que nos possa a correr.
belíssimo poema!
Feliz Natal
beijinho
:)