domingo, 9 de novembro de 2014

UM BARCO ATRAVESSA O MEU CORPO


Um barco atravessa o meu corpo de lado a lado
por cima duma duna de areia animada pelo vento,
alheio à tempestade transversal dos meus olhos
a inquirir o azul cinzento do mar.

Há uma nudez nos ares como um piano
tocando num promontório de solidão,
um anel de fogo abrindo o desconhecido
ali mesmo em frente, no infinito do mar redondo
donde é possível voltar sempre ao mesmo sítio
donde se partiu, o mesmo desconhecido anel de fogo
que se escreve no meu barco que jamais partiu.

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