domingo, 9 de novembro de 2014

UM BARCO ATRAVESSA O MEU CORPO


Um barco atravessa o meu corpo de lado a lado
por cima duma duna de areia animada pelo vento,
alheio à tempestade transversal dos meus olhos
a inquirir o azul cinzento do mar.

Há uma nudez nos ares como um piano
tocando num promontório de solidão,
um anel de fogo abrindo o desconhecido
ali mesmo em frente, no infinito do mar redondo
donde é possível voltar sempre ao mesmo sítio
donde se partiu, o mesmo desconhecido anel de fogo
que se escreve no meu barco que jamais partiu.

22 comentários:

Helena disse...

Um piano fazendo som na solidão... o desconhecido se mostrando no infinito do mar...voltar ao início de um lugar de onde nunca se saiu e deixar o destino marcar aquilo que nunca foi...
Só mesmo um grande poeta para juntar tantas reticências e criar um poema tão intrigantemente belo como este!
Que teu domingo tenha lindos sorrisos e tua semana seja pautada de estrelas,
Helena

Zilani Célia disse...

OI VIEIRA CALADO!
ASSIM SÃO OS BARCOS DA VIDA, MUITAS VEZES PARTEM EM VIAGENS SEM VOLTA OU SIMPLESMENTE NÃO FORAM.
LINDO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Magia da Inês disse...

✿彡
Simplesmente lindo!

Boa semana!
Beijinhos do Brasil.
✿♫° ·.

Maria Rodrigues disse...

É dificil navegar pelas tempestades da vida quando a companhia é apenas a solidão.
Beilissimo poema.
Beijinhos
Maria

Anónimo disse...

Falou no mar, tocou-me o coração!
Muito bom, este poema, para ler e reler e... voltar a ler!
Boa semana
Um abraço
Miguel

Elvira Carvalho disse...

Um belo poema amigo. Gostei de ler.
Um abraço e uma boa semana

À margem:
Sim eu sei que a Sophia viveu muito tempo em Lagos, Não esqueça que eu comecei a ir para Lagos em 67.

Ani Braga disse...

Oi Vieira Calado querido

Gostei muito da tua visita em meu blog...
Sempre que posso visito o teu...
Achei o poema lindo.

Beijos
Ani

Andrea Liette disse...

A poesia navegante, a vida retornando num círculo de elementos, a solidão por destino e companhia! Belo poema azul.
Abraços e saudações.

Elisabete disse...

Lindo! Nem sempre a navegação pela vida é fácil. Às vezes, um barco atravessa "mesmo" o nosso corpo.
Um abraço

SOL da Esteva disse...

Místico e repleto de significados.
Partir sem sair do lugar.
Gostei.


Abraços


SOL

Simone Felic disse...

O anel de fogo insiste em marcar o barco para que ele
parta e venha navegar mares desconhecidos.
abraço.

http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

helia disse...

Um Poema lindíssimo que adorei ler !

helia disse...

Um Poema lindíssimo que adorei ler!

MARILENE disse...

Muito se pode deduzir das intenções do escritor, de sua inspiração. E penetrei em seu versos com o sentido de que, onde quer que se vá, não saímos de nós mesmos. Bjs.

gota de vidro disse...

Assim é o barco da vida...Umas vezes parte e encontra o porto , outras regressa ao ponto de partida.

Gostei imenso

Boa semana

Beijito da Gota

Brisa Petala disse...

OI AMIGO
Que belo texto.Um feliz começo de semana.
Ana

Agostinho disse...

Caro Vieira Calado.
acabei de fazer um comentário mas parece-me que se perdeu. Já me aconteceu por outra vez aqui.
Quero agradecer-lhe a sua visita.
Gostei do seu poema, tanto que peguei num sol do seu piano e fiz de imediato um tema. Se puder veja se ficou afinado.
Boa noite.

Ailime disse...

Belisimo poema, genial Poeta!
Um mar a perder de vista num braco cheio e recordações!
Um beijinho e muito obrigada pela sua visita e comentário!
Ailime

Nilson Barcelli disse...

Gostei imenso do poema, é excelente.
Parabéns pelo talento que as tuas palavras revelam.
Tem uma boa semana, caro amigo Calado.
Abraço.

Célia sousa disse...

A vida já é uma tempestade,
preenchida pela solidão...
num barco que nunca partiu... !

Saudações;

Fê blue bird disse...

Um barco ancorado ao seu sentir profundo.

Tantas podem ser as interpretações deste seu belo poema.

beijinho e bom fim de semana

Labirinto de Emoções disse...

Navegamos sempre no mar no nosso mar interior, umas vezes encapelado, outras calmamente...
Os acordes de uma vida, são isso mesmo!
Um beijinho, boa semana.
Teresa