domingo, 7 de junho de 2015

UM FIO DE BÚZIOS


Um menino trazia um fio de búzios
na concha da minha mão.

Era criança,
mais jovem do que eu julgava
ou imaginava ser, ou ver no azul profundo
os tons ocre e sépia
da falésia que caía sobre o mar.

Era o tempo das nêsperas e das amoras
que ainda brilham nos meus olhos.

Mas era já o tempo das ondas lavrando
a areia, gaivotas estridentes
clamando contra o vendaval.

E o menino nada sabia do vento áspero da montanha
nem da rigorosa fixidez do pão do condenado.

Era apenas uma criança ainda jovem
que procurava búzios na praia, junto ao mar
no azul profundo céu que imaginava
na cor das nêsperas e das amoras
que ainda hoje animam os meus olhos.

16 comentários:

✿ chica disse...

Que lindo poema e deu pra imaginar bem o menino e o cenário. LINDO! abraços, chica

Majo disse...

~~~
~ ~ ~ ~ Belíssimo, Poeta!

~~ Uma felicidade manter no olhar a chama juvenil - um brilho doce...
~~~~~~~~~~~~~~ Apesar de todos os vendavais. ~~~~~~~~~~~~~~

~~ Olhos que refletem permanentemente o azul e ocre da grande baía,,,
~ Mão que ainda guarda - como um estimado tesouro - um fio de búzios...


~~~~~~~ Abraço amigo. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Maria Rodrigues disse...

Criança inocente e ainda livre da dureza das realidades.
Magnifico poema.
Beijinhos
Maria

Vera Lúcia disse...

Muito lindo, poeta.
Lembrei-me dos tempos de criança a catar conchinhas nas areias do mar, alheia aos problemas da vida e do mundo. Lembranças doces, que fazem cócegas na memória,

Grande abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...

que belo poema!
dá para imaginar o cenário.
o menino e o Poeta!
lindo demais.
beijos
:)

helia disse...

Que lindo e ternurento Poema ! Já tinha saudades de espreitar o seu blog e a sua Poesia !

O Sibarita disse...

Ô Vieira, porreta esse texto voltando ao tempo da infância em bela lembrança do que é o olhar inocente de uma criança por entre a imaginação das cores e tons e um fio de búzios nas mãos!

Muito dez!

O Sibarita

ou imaginava ser, ou ver no azul profundo

os tons ocre e sépia

da falésia que caía sobre o mar.

Bandys disse...

Lindo Vieira.
O toque de inocência com a
leveza do mar deram um toque especial.
beijos

Marina Fligueira disse...

¡Muy bueno Vieira!!!

Cuantos recuerdos guardados en el ático de la memoria, momentos lindos e inocentes que no se borran, por más que el tiempo pase. Y que saludable es recordar... Algo no todo el mundo puede, somo afortunados los que podemos.
A mí también me gusta echar una mirada al pasado, para aprovechar y caminar más segura el presente.
Gracias por compartir tus lindas letras con nosotros.
Te dejo un saludo muy cordial mi gratitud y mi estima.
Se muy muy feliz.

Maria Eu disse...

A eterna beleza da infância que perdura em nós.

Bom dia, Vieira. :)

Elisabete disse...

Uma narrativa poética lindíssima!
Um abraço

Fá menor disse...

Lindo. O tempo das nêsperas e das amoras quase aí para reviver.

Fá menor disse...

Lindo. O tempo das nêsperas e das amoras quase aí para reviver.

Fá menor disse...

Lindo. O tempo das nêsperas e das amoras quase aí para reviver.

POESIAS SENSUAIS E CONTOS disse...

Ainda cato conchinhas até hoje na areia do mar. Parabéns pelos os preciosos versos

Jaime A. disse...

Penso que o melhor de cada um é, também, elsse menino de mãos cheias de búzios. Estarei certo, Vieira Calado?
Um abraço.