quarta-feira, 20 de maio de 2015

NAQUELE TEMPO



No tempo em que as crianças aprendiam a desenhar
um jarro de água em cima da mesa,
uma árvore rodeada de promessas
num carrinho em madeira feito com as próprias mãos
para conquistar a distância e as manhãs

nesse tempo
havia uma grande luminosidade nos ares
uma ânsia encoberto no coração dum pássaro.

A noite que se via no olhar do caminheiro
era uma seta apontada ao destino
e o destino era um mundo de espigas loiras
de trigo plantadas na cidade
das grandes luzes para afugentar a noite.

Nesse tempo havia uma palavra nunca dita
para dar corpo à raiz dos corações:

o caminheiro haveria de ter uma árvore
desenhada por uma criança
enfeitada de palavras
e de espigas
numa rua anónima da cidade.

2 comentários:

Smareis disse...

Um belo poema Vieira.
Tempo bom era naquele tempo...

Andei um pouco ausente por isso a demora em aparecer por aqui.
Um abraço e ótima semana!

Blog da Smareis- É só clicar aqui!

Nidja Andrade disse...

O passado que invade o pensamento e nos leva ao túnel do tempo!...
Muito bom!!!
AbraçO