terça-feira, 29 de julho de 2014

ONDE PÔR OS PÉS?



Onde pôr os pés sem cair na angústia
das horas repetidas,
ou encontrar esse deslumbramento simples
da leveza distraída duma lira?

Procuro entender o enigma furtivo dos esplendores,
a essência dos trabalhos vertiginosos da luz
e das cinzas,
incandescências que permanecem
para além do discurso efémero dos sentidos,
e dos licores adstringentes,
no seio da terra, desenhados para os perfumes
obstinados que vêm depois das chuvas,
o rasto do barro ainda húmido, primitivo.

Os caminhos da vida trazem-me indícios
dum segredo por desvendar.

Na grande planície soa uma serenidade
sem bermas, como as iluminuras donde luz o sol
eterno olhando a terra com bonomia.

Será esse o segredo das grandes travessias
indiferentes à resolução dos mistérios extensivos
do pó que cobre as árvores desfeitas
em turfa, fósseis modelados por milénios?

Será esse o segredo que desconheço
ou ignoro, das vivências minúsculas dos seres simples
que apenas procuram um rastro de luz
para abençoar, cumprir os seus dias?
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