quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

POEMA DE NATAL (1)


Vem das profundezas, do fim das trevas,
um caminho quase mítico para os exercícios da alegria,
ali tão perto, no barro ainda mole dos antigos.

Assim o pressentimos em fogos de encantamento
na enorme plenitude do orvalho das manhãs.

E talvez nos enredemos em ludíbrios ágeis
pela cerimónia de louvar a imagem virtual dum deus
no seu nicho distante negligenciando as vozes da planície,
mas vale a pena tentarmos nós próprios a utopia,
porque os deuses estão longe, delidos noutros dilemas,
noutras abstrações inatingíveis,
porventura ainda mais utópicas que as nossas.

Diremos Natal como quem diz um bálsamo
ou um violoncelo tangendo um prelúdio chão -
testemunho duma fogueira na água
e no pó do nosso destino também um murmúrio incerto
alheio à vontade transparente das estrelas.

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