sexta-feira, 3 de março de 2017

Folheemos este livro


Folheemos este livro antigo,
os lábios múltiplos da página
que disse a madrugada,
o jardim que desenhou
o corpo diligente dos insectos,
a fogueira do horizonte
que amareleceu estas flores breves.


Folheemos este livro
nas sombras onde cai uma janela
de silêncio,
o sol poderoso
de olhar as planícies,
os cristais da terra.


Folheemos este livro antigo,
o abismo entreaberto nestas páginas,
na cerimónia comovida
consumida por ecos
de imagens doutros dias  
que dizem a palavra longe



onde haveremos de habitar.
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