segunda-feira, 30 de junho de 2014

25 de Abril de 2014

A GRANDE EXPOSIÇÃO DO ALONSO, 
SOBRE O 25 de ABRIL, 
NO CENTRO CULTURAL DE LAGOS 
(em que eu participo), 
está a acabar.
Para quem está longe, eis um vídeo - PORTUGAL 2014,
dessa minha participação. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

ESTES MUROS


Estes muros são a nossa casa,
o modo austero de preservar os tectos
para as chuvas e o vento,
onde encontrar um refúgio, o alento
para dizer as palavras indizíveis.

Aqui coabitamos com as dúvidas
que escondem um instante efémero,
uma noção solene do nosso tempo breve
para discorrer sobre os acasos.

Transpiramos as sombras espessas
que chegam depois da exígua claridade
ofuscando o brilho dos nossos olhos,
para que o amanhã de novo se reconstrua
por cima dos nossos restos de luz morta.

sábado, 21 de junho de 2014

COM O TEMPO



Com o tempo
um delírio impoluto cresce em nossos olhos.

Aprendemos a distinguir
um sorriso, o riso austero, o choro da criança

o sal que dá rigor às nossas vidas
ou rói o vigor dos ossos

e que nos trazem ainda vertical
como sãos os exercícios primaveris de palavras
nunca ditas

como que amarelecemos o tempo.

domingo, 15 de junho de 2014

NAQUELA NOITE


 
Naquela noite sonhei que sonhava.

Era dia.

No meu sonho estavas tu alegre nem um pássaro
subindo no meio duma fresta de sol,
em inverno rigoroso.

Eu sonhava e dizia-te sonhei contigo,
estavas tu a sorrir sentada no chão,
enquanto a chuva caía sobre uma árvore despida de folhas,
meditativa.

Era uma sensação plena de ternura
pelos teus grandes olhos azuis alucinados,
ignorante da vacuidade dum extenso fogo
que eu já vi nos despenhadeiros
por onde andam os répteis absurdos,
nas linhas verticais dum desejo.

O teu corpo reclinava-se,
voava em cima dum enorme bloco de gelo
que transfigurava tudo no cinzento dum pombo, 
na noite plúmbea do mar.

Eras tu que vigiavas uma fábrica de beijos,
homens e mulheres de estranhos capitéis
para se protegerem da geada
ou talvez da antiga ciência do deslumbramento.

Eu era apenas uma sombra.