Sábado, 5 de Junho de 2010

Pedro Pedra


 .
O que eu queria era ter sido Pedro
porque Pedro lembra a pedra, a concha
antiga, a tranquilidade da urze liberta
num cântico só de terra e de montanha.
.
Ela é feita de silêncios e sol,
a ressurreição do saber das horas
ausentadas do discurso das águas
num livro que persiste imperturbável.
.
Apenas olha os céus, não os observa
nem se imagina no acto de contemplar
as cores que ardem sob as estrelas
nas ruínas doutros limos sobre a praia.
.
O que eu queria era ter sido Pedro
porque, para arder no frio que passa,
árido e negligente aos sóis e aos sonos,
tanto faz uma rosa, como um silêncio.
.
em "Transparências", ed. AJEA

76 comentários:

Dora Regina disse...

Passando para apreciar teu poema lindo e para te deixar um grande abraço!!
Bom fim de semana!!

Amor feito Poesia disse...

De todas as flores que colhemos nos campos, a Amizade é o único sentimento que os ventos podem soprar, mas, suas pétalas jamais cairão

Bia Cogan

Feliz Sábado....Abraço! M@ria

angela disse...

Tem momentos em que a sensibilidade doí demais.
Lindo poema

José Carlos Brandão disse...

A pedra diz bem da concretude da poesia.
Um grande abraço, Vieira Calado.

direitinho disse...

Bom dia
Brilhante este Pedro e esta pedra.
Pedro que passa e pedra que fica tranquilidade, paz, silêncio....discurso imperturbável.

Lou Vilela disse...

Belo de doer...

Abraços, meu caro!

Mirze Souza disse...

Lindo cântico!

"Para arder, tanto faz uma rosa, como um silêncio"

Pedro, pedra...rocha!

Poema esculpido!

Parabéns, poeta!

Beijos

Mirze

gaivota disse...

um pedro
uma pedra
flores e vida dorida, no silêncio de uma rosa, ou qualquer outra flor
beijinhos

ValeriaC disse...

Viajei em pensamentos... ao ler seu belo poema...querido poeta...
Tenha um doce e feliz final de semana!
Beijos
Valéria

RETIRO do ÉDEN disse...

Mai um brilhante poema que cresceu entre uma pedra...
Lindo mesmo...
Abraço
Mer

Sonhadora disse...

Meu querido Poeta
Simplesmente maravilhoso este poema.

O que eu queria era ter sido Pedro
porque, para arder no frio que passa,
árido e negligente aos sóis e aos sonos,
tanto faz uma rosa, como um silêncio.

Adorei

beijinhos
Sonhadora

AC disse...

Gostei destes versos, assentes em olhares que sabem filtrar o fundamental.
Voltarei.

mmeloup disse...

E após 10 horas de estudo intensivo sobre o que nos permite pensar em cada verso, sabe tão bem não pensar mais nisso e vir só lê-los. Ler, porque sim.

_______

http://mmeloup.wordpress.com/

simplesmenteeu disse...

Ser pedra e ter a sabedoris milenar do silêncio e da cristalização dos sentidos.

Gostei muito.
Um beijo

Pérola disse...

Muito lindo seus versos.
Pedro ao meu ver lembra os momentos de paz.Eu também quero rs.
Beijokas.

lino disse...

Entre as rosas e os silêncios viveremos.
Abraço

Carmo disse...

Para mim este Pedro e esta pedra tem várias interpretações, ainda estou a estuda-lo.
Pode acreditar que sou uma estudiosa da sua poesia.

Beijinhos e bom fim de semana

Manifesto Interno disse...

Que doce poesia! Gostava de ser Pedra também, onde habitam todos os silencios do meu poetar incógnito,
não sei traduzir em palavras o que este poema me causou,

obrigada por essa rica partilha!

Ester.~

david santos disse...

Brilhante, amigo Vieira Calado, brilhante!
Boa semana

claudete disse...

"Tu és Pedro e sobre esta pedra ediicarei a minha Igreja"- Querer ser Pedro é ser pedra...resistente, incorruptível,sólida...é possível querer . Ser Igreja, é ser cada um de nós , receptáculo do divino que mora dentro de nós. Bela reflexão poética.Feliz domingo.

Marilu disse...

Caro amigo, que linda poesia, principalmente quando você diz "contemplar as cores que ardem sob as estrelas", que inspiração.Adorei seu blog. Beijocas e tenha um lindo final de semana.

tossan® disse...

Maravilhoso poema! Pedro, pedra, pedreiro...Agora eu falo de água no klic. Abraço

Valéria Gomes disse...

Eu também gostaria de ser pedro, pedra, rosa...

Beijo verde!!!

A Arte Dos Livres Pensadores disse...

...Toda a arte...tem seu som e sua música...
...Seus poemas são melódicos...
...Minhas músicas são sonetos...

Abraços!

rouxinol de Bernardim disse...

Olá,

A lucidez e a mestria habituais...

Anabela disse...

Pedra-te rosa e silêncio
imperturbado do saber das horas

"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho genios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido."
Álvaro de Campos
In: A tabacaria

Bom domingo Poeta

Isa disse...

Parabéns,meu Amigo!
Adoro quando você se solta,deixa,sem
preocupações,jovens pensamentos,invadir-nos e os partilha
connosco!
Beijo,"Pedro".
isa

gota de vidro disse...

Realmente por vezes apetece ser pedra...Inerte e ausente....

Belo

jito da gota

Daniel Costa disse...

Vieira Calado

Segundo as escrituras, já Deus disse a Pedro: "tu és pedra sobre a qual edificarei a minha igreja". Um poeta, como tu, também vai contruindo um edifício com a sua poesia.
Creio que terás o contacto da editora. Como tenho lá um livro em edição, se necessário posso fornecer o de Lisboa.
Daniel

Filoxera disse...

Eu era para ter sido Pedro. Mas nasci menina...
:-)
Também tenho algo de conha.

Hanah disse...

Belissimo ...

Beijinhos de boa semana

Maria Faia disse...

Amigo Vieira Calado,

Todos nós somos Pedra!
A pedra que a vida vai desbastando e assim, modificando o Ser que existe em nós.

Um abraço amigo,
Maria Faia

Paula Raposo disse...

Gosto! "nas ruínas doutros limos sobre a praia.".
Beijos.

paula barros disse...

O poeta tem essa capacidade de ter ideias fantásticas...nunca tinha pensando assim, e fiquei relendo para tentar assimilar melhor e me sentir Pedro.

abraço

Janita disse...

Lindo e introespectivo este seu poema, Vieira Calado. Para ler, reler e meditar. Olhar os céus, sem os observar nem se imaginando no acto de contemplar... Quantas vezes olhamos, sem observar,o que de belo nos rodeia, porque o frio e a aridez que sentimos na alma nos deixa indiferentes a tudo...
Gostei muito.
Um beijo

Amordemadrugada disse...

Simão, Pedro, Pedra!
Estamos com os Santos populares à porta Vieira!
Por acaso o titulo fez-me lembrar exactamente isso...
S. Pedro! Tb era bom ter sido este Santo! Digo eu cos nervos!
O que importa é que o poema está lindo, como todos os seus escritos
boa noite amigo
besito

CamilaSB disse...

Pedro é um nome bonito (gosto).
Pedra... pedra é firmeza, história, resistência...é rocha que edifica a montanha...que é insensível ao calor e ao frio, ao choro e ao riso...é a lentidão do tempo que passa e "não se gasta" é a mansidão da vida...
Mas Pedro...Pedro é poesia...é sensibilidade às cores, aos sóis, ao frio...aos sonos inquietos...que lá no fundo...também são rosa e são sabedoria!
Parabéns pelos belíssimos versos...e obrigada pela visita!Bjs e um bom Domingo!

Desnuda disse...

Um poema maravilhososamente sensível e belo. Bravo, poeta!


Carinhoso beijo e excelente semana.

helen ps disse...

Sejamos pedra, rosa, silêncio ou sol. Sejamos. Tudo.

Grande abraço e obrigada pela companhia.

PAZ e LUZ

Robin K disse...

Ser-se Pedro é crescer com toda a gente a chamar-nos de "Pedro Penedo da Rocha Calhau". Pelo menos......fui chamado assim milhões de vezes.

Robin K

Rosa dos Ventos disse...

Pedro, a pedra angular!
Belo poema...

Abraço

Fa menor disse...

Pedro
.
pedra

"porque, para arder no frio que passa,
árido e negligente aos sóis e aos sonos,
tanto faz uma rosa, como um silêncio."

Muito bem dito!

Que ser poeta nos anime!

Bjos

Osvaldo disse...

Caro Vieira Calado;

E se eu fosse Pedro, não gostaria de viver na Faixa de Gaza porque certamente andaria sempre de lá pra cá e de cá pra lá atirada por todos as mãos!...

Um abraço, caro Leão.
Osvaldo

Rodrigo Braga disse...

Lindo! Existencial! Não conhecia o blog e foi grata a surpresa.

Parabéns!

Graça Pereira disse...

"Tu és Pedro...e sobre esta pedra..."
edificarei uma vida!
Gostei deste poema e de toda a sua simbologia.
Beijo
Graça

*lua* disse...

Olá meu querido!!! bom dia!!!

Pedro, pedra ... não estou tão certa ... imtemperismo provoca as mais variadas transformações nas rochas, tal qual o amor em nosso coração!

Beijo grande e ótima semana

Maria João disse...

Todos podemos ser inscrição na pedra de Pedro. Bastará não esquecer, nem a rosa nem o silêncio.

Um beijinho

heretico disse...

Pedro é permanência. sem dúvida.

como teus poemas.

gostei muito.

abraços

Valéria Sorohan disse...

Sempre achei que o nome tem haver com a personalidade de tem o possui, meu filhinho se chama Pedro, e ele é impressionante, nunca reclama, está sempre de bem com a vida e forte como uma pedra. Adorei!!

BeijooO'

Eduardo Aleixo disse...

Amigo, já conhecia este tão lindo poema. Aliás penso que o postei no meu blogue. Gostei muito de " Transparências ", como oportunamente lhe disse.
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Dito o mais importante..aproveito para lhe dar um abraço e desejar uma boa semana ( coisas igualmente importantes ).
---------------
Amizade com vento suão sobre as dunas.
Eduardo

Sara disse...

Muito bonito :)
Beijinhos

Ana Tapadas disse...

Este é um poema maior!
Beijo

mixtu disse...

pedro sob a praia

no frio...

de uma rosa ou de um silêncio...

abrazo serrano

mundo azul disse...

__________________________________


...é lindo! Não se leem muitos poemas com essa qualidade e beleza...


Beijos de luz e o meu carinho!!!

_________________________________

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo poema...
Um abraço

quicas disse...

"... para arder no frio que passa...
tanto faz uma rosa, como um silêncio"
Belo e forte, sólido como Pedro e a pedra, poeta, este grito de ressurreição!
Abraço

tecas disse...

Soberbo poema Mestre da poesia.
"O que eu queria era ter sido Pedro
porque, para arder no frio que passa,
árido e negligente aos sóis e aos sonos,
tanto faz uma rosa, como um silêncio"
Não tenho a certeza de que para "arder no frio que passa" "tanto faz ser rosa como silêncio" Certeza é a beleza do poema...Pedro não criou um poema assim...o poeta Vieira Calado é um criador.
Bjinho amigo e uma vénia

tecas disse...

Soberbo poema Mestre da poesia
O que eu queria era ter sido Pedro
porque, para arder no frio que passa,
árido e negligente aos sóis e aos sonos,
tanto faz uma rosa, como um silêncio"
O Pedro...não criou poesia, o Mestre Vieira Calado sim. Não tenho a certeza se a rosa e o silêncio ardem no frio, certeza tenho é que este poema é sublime.
Uma vénia e um aplauso
Bji amigo

tecas disse...

Soberbo poema Mestre da poesia
O que eu queria era ter sido Pedro
porque, para arder no frio que passa,
árido e negligente aos sóis e aos sonos,
tanto faz uma rosa, como um silêncio"
O Pedro...não criou poesia, o Mestre Vieira Calado sim. Não tenho a certeza se a rosa e o silêncio ardem no frio, certeza tenho é que este poema é sublime.
Uma vénia e um aplauso
Bji amigo

Katrina disse...

Queria encontrar pedro

Laura disse...

Tanto faz uma rosa, como um silêncio
é uma ternura de palavras, são aldraba que bate na porta
onde se descortinam ternos sons...
Abraço apertadinho da laura

ONG ALERTA disse...

não importa nosso nome e sim o que fazemos com ele, paz.
Beijo Lisette

Sonhadora disse...

Meu querido Poeta
Sempre disse que queria ler um poema menos triste...hoje tenho um .

Beijinhos
Sonhadora

maria manuel disse...

partindo de Pedro que lembra pedra, o Vieira poetiza belamente toda uma paisagem de terra e montanh a e praia, na serenidade de um sol silencioso.

abraço.

Valter Montani disse...

Meu amigo Vieira Calado, lindo texto parabéns!

Dia 12 no Brasil é o dia dos namorados, então em comemoração deixo aqui minha marca, felicidades sempre!

AMOR CÓSMICO

Seu corpo assim, junto ao meu
um idílio de conveniências,
enigma repleto de emoções.

Duas naves movidas a cinestesia
através de outras dimensões,
muito além da simples anatomia.

Rumamos à galáxia do estro,
nessa deliciosa jornada esotérica
um amor em cósmico manifesto.

Valter Montani

Adriana disse...

Simplesmente,brilhante!

Bipede Implume disse...

Caro Poeta
O que transcende deste poema é uma grande sabedoria,bela e calma sabedoria.
Grande abraço
Isabel

Baila sem peso disse...

A Mãe fica inerte
com a vida que se promete...
ser Pedro se compromete
a ser tão forte
como a rosa, ou o silêncio...
que não ligam para o que eu penso :)

um poema forte e secreto
que no nome tem seu dialecto!

Bom feriado, poeta
beijos e dias de alegria repletos

Lilá(s) disse...

E assim se faz poesia! mas não é qualquer um...
Bjs

francisco disse...

Pedro, pedra, pedrada, dada...
areia.


;)

Diego Machado disse...

curti essa. Parabéns.
Curto escrever coisas mais críticas, mais pesadas. Curto poesias mais leves e bonitas, mas não sou muito bom nisso. Estou linkando seu blog no meu, pode ser?

Até.
Diego Machado
http://poesiasdomachado.blogspot.com

Pedrasnuas disse...

O PEDRO DEVE ESTAR DELIZ POR SER RECORDADO DESSA FORMA ...TÃO NATURAL ...COMO A PEDRA ...COMO A CONCHA...COMO UM CÂNTICO....
BELO!!!!

BEIJINHO

METAMORFOSE disse...

Gostei!
http://seriemetamorfose.blogspot.com/

SolBarreto disse...

Tambem gostei bastante do seu cantinho!
Obrigado pela visita e volte sempre que quiser...

Daniel da Silva Pereira disse...

Excelente poema! Tive a ousadia de postá-lo em meu blog: www.danielsilvapereira.blogspot.com

Anónimo disse...

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